O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental para mulheres em situação de violência, mães atípicas e outras familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. O serviço está disponível em todo o país pelo aplicativo Meu SUS Digital.
Segundo o Ministério da Saúde, as notificações de violência física, psicológica, sexual ou financeira contra mulheres passaram de 167,4 mil, em 2015, para 348,5 mil, em 2025, um aumento superior a 100% em dez anos.
A iniciativa também busca atender mulheres que enfrentam a sobrecarga do trabalho de cuidado. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo é realizado por mulheres. Para mães atípicas e outras cuidadoras, o atendimento remoto busca reduzir barreiras como falta de tempo, dificuldade de deslocamento e a necessidade de conciliar o cuidado com familiares e a atenção à própria saúde.
Segundo o Ministério da Saúde, a proposta é oferecer o teleatendimento como uma primeira forma de acolhimento e de início do cuidado em saúde mental. Cada usuária poderá realizar até 10 sessões, com possibilidade de iniciar um novo ciclo quando necessário. Ao final do acompanhamento, a mulher poderá ser encaminhada para a continuidade do cuidado em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em outro serviço da rede de saúde.
O Sinagências apoia iniciativas que ampliem a proteção, o acolhimento e o acesso das mulheres a redes de apoio. O tema também integra ações desenvolvidas pelo sindicato. Desde 2024, a entidade mantém um Canal de Acolhimento voltado às filiadas vítimas de assédio sexual ou violência de gênero, com atendimento sigiloso, escuta qualificada, serviço jurídico e assistência administrativa para a adoção das providências cabíveis. Pelo canal, as filiadas podem relatar situações vivenciadas, indicar a agência e o estado em que atuam e solicitar apoio do sindicato para avaliar os encaminhamentos possíveis em cada caso.
Além do Canal de Acolhimento, o Sinagências mantém diálogo permanente sobre o enfrentamento ao assédio e à violência no ambiente de trabalho e busca estimular as agências reguladoras a adotarem medidas de prevenção, acolhimento e proteção aos servidores. O sindicato também mantém disponível em seu site o Guia Lilás, com orientações para prevenção e tratamento de casos de assédio moral, assédio sexual e discriminação, além de divulgar outras publicações informativos sobre o tema.
O Sinagências encoraja as mulheres a não silenciarem diante de situações de assédio, violência ou discriminação e a buscarem apoio sempre que necessário. As filiadas que precisarem de orientação, acolhimento ou suporte podem acessar o Canal de Acolhimento do sindicato. Clique aqui para acessar o canal.
Como utilizar o serviço ofertado pelo SUS
Para acessar o atendimento ofertado pelo SUS, a usuária deve entrar no aplicativo Meu SUS Digital com a conta gov.br, acessar “Miniapps” e selecionar “Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”. Em seguida, será direcionada para a plataforma da AgSUS, onde deverá realizar o cadastro e informar se vive ou já viveu algum tipo de violência ou se é cuidadora de um familiar. Em até 24 horas, a equipe entra em contato para que a usuária escolha o dia e o horário da consulta. Até a data agendada, ela receberá lembretes e, no dia do atendimento, o link para acessar a teleconsulta.
Os atendimentos são feitos por psicólogas capacitadas para a escuta sensível e identificação de situações de risco. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h.
Nos casos de violência, o primeiro contato inclui a avaliação de possíveis riscos, da rede de apoio e das principais necessidades da mulher. Em situações de risco imediato, a usuária será orientada a buscar atendimento de emergência pelos canais adequados, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou a Polícia Militar, pelo 190. Quando a situação for grave, mas não houver necessidade de atendimento emergencial naquele momento, a equipe poderá orientar e direcionar a usuária para serviços da rede de saúde local, conforme o tipo de apoio necessário.
Para mais informações sobre o projeto do SUS, clique aqui.
Texto com informações do Ministério da Saúde