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A ORGANIZAÇÃO DA LUTA DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS

 

 

O QUE É TRABALHO?

 

O conceito de trabalho não tem somente uma definição, pode-se dizer que se trata de um conceito que está em transformação. Na sociedade contemporânea, o trabalho assume uma importância tão grande que uma pessoa dedica mais de 70% das horas em que está acordada trabalhando.

Dentre as inúmeras definições de trabalho, destacamos algumas:

TRABALHO, em sentido amplo, representa um conjunto de atividades intelectuais e manuais, organizadas pela espécie humana sobre a natureza, visando assegurar a sua subsistência – nunca deixou (como não deixa, atualmente) de ser realizado, por homens e mulheres, ao longo da história (PINTO, 2007).

TRABALHO, representação do homem/mulher dirigida a fins determinados, é a atividade material orientada por um projeto. Assim, o homem/mulher modifica a natureza pelo trabalho e modifica-se a si mesmo/a, inclusive desenvolvendo suas habilidades (RUY GAMA, 1986).

TRABALHO é um processo de que participam o ser humano e a natureza, processo em que o ser humano com sua própria ação, impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza. Defronta-se com a natureza como uma de suas forças. Põe em movimento as forças naturais de seu corpo, braços e pernas, cabeça e mãos, a fim de apropriar-se dos recursos da natureza, imprimindo-lhes forma útil à vida humana. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao mesmo tempo modifica a sua própria natureza (K. MARX, 1984).

É importante destacar que, o trabalho desenvolvido por homens e mulheres não tem o mesmo significado do trabalho que os animais desempenham na natureza/sociedade. Por exemplo, uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, a abelha supera o trabalho de um arquiteto ao construir sua colmeia. Então o que distingue o trabalho do arquiteto do trabalho da abelha? A diferença é que o ser humano projeta na mente a sua construção antes de transformá-la em realidade, já a abelha realiza o trabalho por instinto. Assim, ?… o animal torna-se homem através do trabalho, como um ser que dá respostas.? (LUCKÁCS, 1978).

O TRABALHO NA HISTÓRIA E NA CULTURA

 

Do ponto de vista cultural, o trabalho tem diferentes significados, por exemplo, entre as sociedades tribais, particularmente os grupos nômades de caçadores e coletores, o trabalho era realizado somente para a subsistência, a carga diária de trabalho centrava-se entre três e quatro horas e as demais horas eram destinadas ao descanso e ao lazer.

No mundo greco-romano, celebrava-se o ócio, como algo necessário ao desenvolvimento do espírito. O trabalho era desvalorizado, destinado a escravos e às mulheres, a qual já nascia sendo considerada uma escrava da natureza. As atividades físicas e as intelectuais eram reservadas aos homens livres, cidadãos da pólis.

Na Idade Média, o trabalho era condenado porque roubava horas preciosas à oração e à contemplação baseado no Antigo Testamento em que, o homem foi condenado a ganhar o pão com o suor do seu rosto, ou seja, trabalhar para sobreviver, como castigo ao pecado original.

Caracterizado como modo de produção feudal, obrigava os servos a trabalhar nas terras do senhor feudal e o pagamento de tributos.

Após a Guerra dos Cem Anos, a crise na produção agrícola, a reabertura do comércio mediterrâneo, as Cruzadas e o Renascimento Cultural e Artístico, inicia-se na Europa um novo modo de organizar a economia e a sociedade: o capitalismo.

Na lógica do capital, que se assenta no lucro e na acumulação de riquezas, o trabalho foi incorporado pelo modo de produção capitalista e submetido aos interesses da classe dominante, especialmente após a Revolução Industrial a partir do século XVIII.

 

ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

SÉCULO XIX E XX

 

A partir daí, o trabalho passou a ser organizado de tal modo que, de um lado ficaram os empresários e de outro os/as trabalhadores/as. Essa configuração, denominada divisão social do trabalho, levou o empresariado a deter o controle social, econômico e político da classe trabalhadora, com a finalidade de manter o funcionamento do sistema e consequentemente a acumulação de capital, em outras palavras, como destaca (PINTO, 2007):

“Os trabalhadores produzem riqueza, mas não usufruem dela, aumentam a produção de bens, mas não podem consumi-los. Desenvolvem novos recursos, mas são relegados à formação de um exército de reserva de mão-de-obra, ou vivem as mazelas do trabalho precário. Porém, somente os/as trabalhadores/as serão capazes de criar um mundo novo, revelar a nova vida, recordar que existe um limite, uma fronteira para tudo, menos para o sonho humano. Moldar com as mãos o mundo, revelar com os olhos a vida, recordar nos sonhos aquilo que virá” (PINTO, 2007).

Nesta perspectiva, o trabalho no âmbito da produção, característico da economia capitalista, deu origem a vários estudos e formas de organizar as atividades no mundo do trabalho.

Nas últimas décadas do século XIX surgiram vários métodos científicos de organização do trabalho, cujo objetivo centrava-se no controle do trabalho e da produtividade, destaca-se: o Taylorismo, o Fordismo e, atualmente, o Taylorismo.

Não cabe aqui especificar cada um destes métodos, contudo sabemos que no capitalismo, o trabalho representa a venda da força de trabalho. É na superação do capitalismo que se busca outra perspectiva de trabalho, a que representa a valorização social do trabalho, ou seja, o trabalho enquanto fator de integração a determinado grupo com direitos sociais.

Por fim, cabe salientar que o trabalho apresenta-se como duas faces da mesma moeda, se por um lado ele se converte num esforço penoso, que explora e aliena o indivíduo, por outro lado, é por meio do trabalho que homens e mulheres distinguiram-se dos animais, travaram uma incessante luta pela sobrevivência, pela conquista da dignidade e da felicidade social. Neste senti do, o trabalho tem sido vital para a constituição da identidade e da subjetividade dos sujeitos.

 

REFERÊNCIAS

PINTO, G. A organização do trabalho no século XX: Taylorismo, Fordismo e Toyotismo. Expressão Popular: São Paulo, 2007.

MARX, K. O capital: crítica da economia política. v.1. tomo 2, São Paulo, 1984.

LUCÁCS, G. As bases ontológicas do pensamento e da atividade do homem, 1978.

GAMA, R. A Tecnologia e o trabalho na História. Nobel/Edusp: São Paulo, 1986.

>>> Clique aqui e assista também ao vídeo Ilha das Flores. De forma ácida e com uma linguagem quase científica, o vídeo mostra como a economia gera relações desiguais entre os seres humanos.

 

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