V Consag reforça unidade e protagonismo sindical

O painel “O Sindicato que queremos: Debate sobre o futuro e o fortalecimento”, realizado na sexta-feira (21), no V Consag do Sinagências. A discussão trouxe perspectivas complementares entre a experiência prática dos dirigentes sindicais Luiz Daniel Veiga, secretário da Sesin/PA, e Yandra Torres. Juntos, eles provocaram o público a pensar em como fortalecer as estruturas internas, ampliar a participação da base e consolidar um modelo de atuação mais democrático e conectado aos desafios atuais da regulação.

Veiga destacou a importância de engajar novos servidores para fortalecer o sindicato e ampliar sua influência: “os novos servidores que entraram nas indústrias (como ele se referiu às diferentes áreas e setores representados pelas agências) devem ser a nossa busca para que eles entrem no sindicato. Ampliar a nossa organização, a nossa influência, a nossa força de luta.”

Ele relembrou a trajetória histórica da entidade, citando greves marcantes em 2006, 2008 e 2012, e enfatizou que o sindicato sempre lutou pelos direitos da categoria: “se a categoria permanecer apenas no que já possui, não poderá afirmar que conquistou novos espaços.” Para Daniel, os erros fazem parte do processo, mas a perseverança e a capacidade de aprender com eles consolidam a força coletiva do sindicato.

 

O dirigente também reforçou princípios estruturantes da vida sindical, como liberdade, autonomia e democracia interna, e destacou a necessidade de interlocução com outras categorias e centrais sindicais: “o sindicato tem que perceber a autonomia. Isso é importante para nós. Temos esse princípio da autonomia sindical que nós temos conquistado e isso é uma frustração porque é um trabalho muito árduo manter essa autonomia numa situação tão complexa como a que estamos vivendo hoje no mundo e no Brasil”.

Yandra reforçou a visão de um sindicato como processo de transformação contínua, atento às mudanças da realidade e às necessidades da categoria. Segundo ela, “o sindicato que a categoria quer necessariamente é um processo de transformação permanente. Porque a realidade se transforma, a realidade é fluida e como sindicato a gente tem que se ater a observar os elementos dessa realidade que se constrói, para a gente se colocar da maneira mais adequada para o enfrentamento da opressão aos trabalhadores”.



Para Yandra, os trabalhadores do Serviço Público Federal precisam atuar de forma ativa e coletiva, transformando seus espaços de trabalho e, por consequência, o Brasil. Ela destacou ainda a importância de um sindicato único e representativo das 11 agências reguladoras, defendendo a unidade e a solidariedade da categoria: “o sindicalismo surgiu da solidariedade da classe trabalhadora frente à opressão do avanço do grande capital. Quando a gente começa a se dividir, a gente perde tudo aquilo que nos unifica”.

A dirigente também defendeu a ampliação da participação das mulheres e a inclusão de grupos historicamente sub-representados, como pessoas negras, indígenas e trans, na liderança sindical: “hoje a nossa gestão tem sete mulheres dirigentes sindicais, uma militante sindical transgênera, outros dirigentes negros, dirigentes com ascendência indígena. Todos somos militantes sindicais”. Yandra destacou a necessidade de estratégias coletivas de luta, com protagonismo compartilhado e fortalecimento da unidade da categoria: “a estratégia principal é nunca desistir de ser protagonista da sua própria luta, protagonista da sua própria história… Imagina a força que a gente vai ter para construir a regulação que o Brasil precisa e o sindicato do tamanho da regulação”.