Sinagências participa de reunião na Antaq sobre regime de trabalho

O Sinagências participou, na segunda-feira (23), de reunião realizada na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para tratar da avaliação do regime de trabalho atualmente adotado na agência. O encontro foi aberto pelo diretor-geral, Frederico Dias, e contou com a participação da diretoria, integrantes do Grupo de Trabalho instituído para analisar o tema e representantes da entidade sindical.

Ao iniciar a reunião, Frederico contextualizou a origem do debate e destacou que a discussão surgiu a partir de reflexões internas da própria diretoria. Segundo ele, não há decisão prévia nem proposta fechada. “Eu não tenho compromisso com mudança por mudança. A minha responsabilidade é fazer a pergunta: o regime de trabalho que temos hoje é o melhor para a agência?”, afirmou.

“Nunca pensei em acabar com o teletrabalho. Eu acho que isso é uma conquista de todos nós, inclusive da organização”, declarou, reforçando que qualquer eventual ajuste dependerá do diagnóstico do Grupo de Trabalho e será conduzido com responsabilidade e diálogo.

Durante a reunião, foi informado que o GT está analisando o normativo vigente, o funcionamento do sistema de gestão, aspectos relacionados ao engajamento e à integração das equipes, além de experiências de outros órgãos públicos. Também será aberta consulta interna para colher contribuições dos servidores e servidoras, com garantia de tratamento anônimo das respostas.

O presidente do Sinagências, Fabio Rosa, ressaltou a importância da participação institucional do sindicato no debate e destacou que há questões concretas que já vêm sendo relatadas à entidade e que nem sempre aparecem formalmente nos espaços institucionais. “Tem muitas coisas que às vezes os servidores não se sentem à vontade para falar, mas chegam até nós. Temos, por exemplo, queixas sobre como está sendo atribuída a carga horária das atividades no PGD. Atividades que antigamente valiam 90 horas hoje passam a valer 30. Isso é feito a partir de um diálogo com o servidor, mas um diálogo muito individualizado, o que acaba ficando algo muito de cima para baixo”, afirmou.

Fabio também destacou a necessidade de reconhecimento da complexidade de determinadas atividades, especialmente as de fiscalização. “A fiscalização não é uma atividade mecânica. É um trabalho intelectual, que envolve análise, interpretação e responsabilidade. Isso precisa ser considerado na metrificação. Recebemos essa demanda de diversos fiscais e servidores das unidades regionais”, pontuou. Outro ponto mencionado foi a necessidade de equidade na distribuição das demandas e na atribuição das atividades.

O presidente do Sinagências ressaltou ainda que problemas tendem a surgir quando processos dessa natureza não contam com participação ampliada. Como exemplo, citou a experiência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), onde foi instituído um grupo de trabalho com participação das diretorias, da área de gestão de pessoas e também das entidades representativas, incluindo a Univisa. “Isso tem ajudado muito porque antecipa determinados problemas. Quando todos os atores participam, os ruídos diminuem e as soluções aparecem com mais maturidade”, observou.

Rosa reforçou que o Sinagências reconhece que a gestão não tem como objetivo piorar o clima organizacional ou reduzir a qualidade de vida dos servidores, mas destacou que existe uma preocupação legítima da categoria. “Estamos falando de servidores comprometidos com o interesse público, que há anos garantem o funcionamento da regulação deste país, muitas vezes em condições adversas. Há uma preocupação com as entregas, com a responsabilidade institucional e com o nome da agência. Da nossa parte, não vai faltar disposição nem responsabilidade para que as entregas sejam cada vez mais eficientes e produtivas para a sociedade, desde que isso não implique retirada de direitos ou piora da qualidade de vida”.

Ele concluiu destacando que o diálogo institucional é condição para a construção de consensos. “Tenho certeza de que a interlocução institucional reduz ruídos e ajuda a caminharmos de forma mais tranquila e organizada, construindo os consensos possíveis.”

Ao final, ficou consignado que, após a realização da consulta interna, o Grupo de Trabalho consolidará as contribuições e apresentará o diagnóstico à diretoria, que posteriormente dará publicidade às conclusões antes de qualquer deliberação final.

O Sinagências seguirá acompanhando de forma atenta e responsável cada etapa do processo, reafirmando seu compromisso com a defesa dos direitos, da qualidade de vida e das condições adequadas de trabalho dos servidores, sempre alinhado à responsabilidade institucional e à excelência das entregas à sociedade.