A democracia venceu. A luta pelo serviço público continua.

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais é o melhor presente que os trabalhadores do setor público poderiam receber na semana do Dia do Servidor Público, celebrado em 28 de outubro.

Foi uma vitória da democracia contra o obscurantismo, da civilidade sobre a intolerância e de quem acredita em um Brasil que dá certo, em benefício dos próprios brasileiros. Um país que respeita suas instituições, valoriza seus trabalhadores e exige que o serviço público preste contas à população, e não ao capital financeiro.

Com o resultado sacramentado do pleito, ficou claro que a mobilização popular nas ruas e nas redes sociais foi fundamental para essa vitória que não foi apenas de um projeto político, mas de um projeto de país. A mobilização, no entanto, precisa continuar. O resultado das urnas não encerra a disputa pelos direitos dos trabalhadores e pelo futuro do serviço público. Nossa atuação sindical também não pode se limitar às negociações salariais e às pautas específicas da categoria. O sindicato é um instrumento de organização da classe trabalhadora e deve participar ativamente da vida política e das decisões sobre os rumos do país.

Essa mobilização permanente precisa contrapor o jogo de forças retrógradas que emerge de um dos Congressos mais extremistas da história brasileira. A extrema direita saiu fortalecida das urnas e seguirá atacando os direitos dos trabalhadores e o setor público. Sem uma base parlamentar sólida, Lula precisará da força organizada do povo para conquistar vitórias no Congresso. Cabe aos sindicatos mobilizar suas bases, pressionar o Parlamento e enfrentar as tentativas de retirar direitos e precarizar o trabalho.

Para os servidores públicos federais, a reeleição de Lula abre uma agenda de sobrevivência e de afirmação da nossa própria existência. Precisaremos e seremos resistência a forças que pregam o sucateamento dos serviços públicos, a troca de seres humanos por IA.

Essa resistência também passa pela manutenção e pelo fortalecimento das mesas de negociação específicas, com o compromisso de assegurar o atendimento dos pleitos de todas as carreiras. Os seis anos dos governos Temer e Bolsonaro, marcados pela ausência de negociações salariais com as entidades representativas, mostraram o custo dessa política para os servidores: perdas remuneratórias acumuladas, corrosão do poder de compra e enfraquecimento da valorização das carreiras. Não podemos permitir que esse cenário se repita.

Da mesma forma, reafirmamos nossa luta pela democratização do serviço público, especialmente das agências reguladoras. Defendemos a participação efetiva dos servidores e servidoras nas instâncias de decisão, inclusive na seleção dos diretores das agências. Democratizar a gestão é reconhecer o papel estratégico de quem constrói diariamente a regulação brasileira, garantindo mais representatividade, transparência e compromisso com o interesse público.

Nossa luta também exige disputar um projeto de desenvolvimento nacional sob a perspectiva da classe trabalhadora. O Sinagências quer assumir esse protagonismo, retomando propostas como a Escola Nacional de Regulação e fortalecendo a formação política e a participação da categoria nos debates sobre o futuro do Brasil.

Nesta semana do Dia do Servidor Público, celebramos a vitória democrática e conclamamos a categoria a permanecer mobilizada nas ruas, nas redes e nos locais de trabalho.

A democracia venceu. Mas a luta continua, porque os direitos dos trabalhadores, a existência do serviço público e o futuro do Brasil seguirão sendo disputados todos os dias.