Servidores da Ancine repudiam ataque hacker e cobram da PF investigação e responsabilização dos autores

O Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) e a Associação das Servidoras e dos Servidores Públicos da Ancine (Aspac) repudiam o ataque hacker ocorrido em 12 de outubro ao Sistema Ancine Digital (SAD). Usuários que tentavam acessar o sistema eram direcionados a uma página com mensagens de ódio, simbologia nazista, ofensas à população nordestina, ameaças às universidades públicas e propaganda política.

O ataque deixou o SAD fora do ar por aproximadamente 48 horas, prejudicando atividades essenciais da agência e o atendimento ao público externo. O sistema, que já voltou a funcionar, é utilizado diariamente pelas principais áreas da Ancine, incluindo registro, fiscalização e fomento, e reúne informações sobre empresas, obras e projetos audiovisuais. Alimentado por servidores e usuários externos, é indispensável à rotina de trabalho da agência. A Aspac também recebeu relatos de dificuldades enfrentadas por usuários que precisavam acessar o sistema com urgência, especialmente para demandas relacionadas à fiscalização.

O episódio é uma agressão à Ancine, aos seus servidores e à sociedade brasileira. Ao atacar nordestinos e ameaçar universidades públicas, os invasores expressam o preconceito contra a diversidade regional, o pensamento crítico e as instituições democráticas. O Sinagências e a Aspac manifestam solidariedade aos grupos atingidos e cobram da Polícia Federal a investigação rigorosa do ataque, a identificação e a responsabilização dos autores, além de esclarecimentos sobre a segurança dos sistemas, a proteção dos dados e a continuidade dos serviços da agência.

O ataque ocorre em um momento particularmente grave para a Ancine. Ao completar 25 anos de existência, a agência enfrenta um dos períodos mais sombrios e desafiadores de sua história. Tramita no Congresso Nacional o PL 994/2026, apresentado pelo deputado federal Capitão Augusto (PL-SP), que propõe sua extinção. A iniciativa se insere em um movimento de setores da extrema direita que defendem o enfraquecimento ou o fim de instituições públicas responsáveis pela regulação e pela proteção do interesse coletivo.

A atuação da Ancine na regulação, fiscalização e fomento contribuiu para a estruturação de um setor que conquistou reconhecimento nacional e internacional e movimentou R$ 81,1 bilhões em 2025, o equivalente a 0,64% do PIB. Sua importância cultural e econômica exige políticas públicas duradouras e uma instituição forte, autônoma e capaz de garantir sua continuidade.

Esse compromisso também está expresso na Carta Aberta lançada recentemente pela Aspac, com propostas para o fortalecimento da agência e para o futuro da política audiovisual brasileira, disponível em https://cartaaspac.com.

O Sinagências e a Aspac reafirmam que os servidores estarão sempre ao lado da Ancine, defendendo sua existência, sua autonomia e as condições necessárias para que cumpra plenamente sua missão institucional de regular e fiscalizar o mercado audiovisual brasileiro. A Ancine pertence à sociedade brasileira e deve continuar a serviço dela.

Sinagências e Aspac

15 de outubro de 2026