Nota pública em defesa da Anvisa, da ciência e das autoridades sanitárias brasileira

O Sinagências e a Univisa condenam veementemente a escalada de negacionismo, desinformação deliberada e os ataques dirigidos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a seus servidores, a integrantes de sua diretoria e a outros entes do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) em razão de decisões técnicas relacionadas à proteção da saúde pública.

As entidades repudiam a tentativa de transformar as ações de fiscalização sanitária, e de regulação técnica em alvo de campanhas políticas e econômicas que buscam desacreditar a ciência, enfraquecer instituições públicas e constranger servidores responsáveis por aplicar a legislação sanitária brasileira.

Também é inaceitável que empresários e setores econômicos descontentes com regras sanitárias tentem substituir o debate técnico por campanhas de desinformação, ataques institucionais e narrativas conspiratórias para pressionar órgãos reguladores e desmoralizar as autoridades sanitárias brasileiras.

Divergências regulatórias são legítimas. Recursos administrativos são legítimos. O que não é legítimo é pretender empreender desrespeitando regras sanitárias e, diante da atuação dos órgãos de fiscalização, reagir com ataques pessoais, desinformação e tentativas de intimidação institucional.

A reação aos recentes alertas sanitários emitidos pela Anvisa, tanto no caso envolvendo produtos da Ypê quanto nas discussões regulatórias relacionadas à tirzepatida e aos análogos de GLP-1/GIP, revela um padrão preocupante: sempre que decisões técnicas contrariam interesses econômicos ou políticos, instala-se uma ofensiva para desacreditar a agência e estimular a população a desconfiar da própria ciência.

A lógica negacionista não busca discutir evidências. Busca destruir a confiança social nas instituições técnicas. Transforma prudência sanitária em perseguição, fiscalização em conspiração e servidores públicos em inimigos políticos.

É preciso questionar: a quem interessa desacreditar a Anvisa, o INCQS e outras autoridades sanitárias? A quem interessa enfraquecer a confiança da população na vigilância sanitária, na ciência e nas instituições responsáveis pela proteção da saúde pública?

Nesse contexto, o Sinagências e a Univisa consideram especialmente grave que o diretor da Anvisa Thiago Lopes Cardoso Campos tenha sido alvo de ataques racistas e desumanizantes simplesmente por exercer suas atribuições legais e institucionais.

O racismo, nesse caso, é utilizado como instrumento de deslegitimação da autoridade técnica e pública. Quando um servidor é atacado não pelo mérito de sua decisão, mas pela cor da sua pele, o debate deixa de ser institucional e assume contornos inaceitáveis de violência política e racial.

A Anvisa já enfrentou esse mesmo ambiente de ataques durante a pandemia de Covid-19, quando servidores e dirigentes da agência sofreram ameaças e tentativas de interferência política por cumprirem seu dever técnico na análise de vacinas e em outras medidas sanitárias. Naquele momento, a atuação firme e baseada em evidências da agência foi fundamental para proteger vidas e preservar a confiança da sociedade brasileira na ciência.

O negacionismo não desapareceu após a pandemia. Apenas mudou de objeto. O método permanece o mesmo: desacreditar especialistas, atacar instituições públicas, espalhar desinformação e transformar ignorância em instrumento de mobilização política.

Fragilizar deliberadamente a credibilidade da Anvisa e de outras autoridades sanitárias significa enfraquecer a própria capacidade do país de proteger sua população.

Defender os servidores da Anvisa e de todo o SNVS é defender a ciência, a saúde pública, a vigilância sanitária e o direito da sociedade brasileira à proteção baseada em evidências científicas, responsabilidade institucional e interesse público.

O Sinagências e a Univisa reiteram seu compromisso com a defesa das instituições públicas, da autonomia técnica dos servidores, da ciência e da saúde pública brasileira.