Anvisa conclui um dos maiores cursos de formação da sua história, com 103 aprovados, mas ainda opera com quadro reduzido

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, na segunda-feira (12), saiu o resultado final do concurso público para o cargo de especialista em regulação e vigilância sanitária, com a conclusão do curso de formação da segunda turma, uma das maiores já realizadas pela autarquia, com 103 candidatos aprovados no curso de formação da segunda turma. A homologação encerra uma etapa fundamental do certame, em um contexto marcado por grave déficit de pessoal, sobrecarga de trabalho e desafios crescentes para a atuação regulatória e de vigilância sanitária no país.

Relembre: Anvisa convoca 103 aprovados para curso de formação e avança na recomposição do quadro de servidores

Embora a homologação do resultado represente um avanço, o Sinagências alerta que o quantitativo ainda é insuficiente para enfrentar o déficit estrutural de pessoal da Anvisa. Estudo técnico elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a pedido do Sinagências, aponta um processo contínuo de esvaziamento do quadro de pessoal da agência, que se intensificou ao longo da última década.
De acordo com o levantamento, o efetivo da Anvisa caiu de 2.366 servidores ativos em 2007 para 1.506 em junho de 2025, evidenciando uma redução expressiva da força de trabalho diante do aumento das atribuições regulatórias e de vigilância sanitária.

Veja também: Durante curso de formação da Anvisa, Sinagências destaca valorização da carreira e fortalecimento da regulação

Em termos relativos, a redução é alarmante. Entre 2007 e junho de 2025, a Anvisa perdeu 36,3% do seu efetivo, o que representa uma diminuição de 860 servidores em exercício. A defasagem compromete prazos, amplia gargalos regulatórios e intensifica a sobrecarga de trabalho, pressionando os servidores remanescentes e afetando diretamente a capacidade institucional da agência.
Para o Sinagências, a publicação do resultado final é resultado de uma luta permanente da categoria pela recomposição da força de trabalho nas agências reguladoras. O sindicato tem alerta que a nomeação do cadastro reserva, ainda que essencial, não resolve de forma isolada o problema estrutural da Anvisa, sendo imprescindível a aprovação de projetos de lei para criação de novas vagas a serem providas por meio de abertura de novos certames.

O Sinagências reforça que a valorização da carreira de especialista em regulação e vigilância sanitária passa não apenas pela entrada de novos servidores, mas também por condições adequadas de trabalho, planejamento de pessoal e reconhecimento do papel estratégico da Anvisa para o Estado brasileiro. O Sinagências seguirá atuando de forma firme e combativa para que a recomposição do quadro deixe de ser pontual e passe a integrar uma política permanente de fortalecimento da regulação e da vigilância sanitária.