O segundo dia do 5º Congresso Nacional do Sinagências (Consag) seguiu nesta quinta-feira (20) com uma mesa de abertura conduzida por William Monjardim, diretor de Política, Organização e Formação Sindical do Sinagências, e por Pedro Armengol, secretário adjunto de Relações de Trabalho da CUT Nacional, que reforçaram a importância da unidade na regulação federal.
Pedro Armengol abriu sua participação afirmando que o reencontro de militantes históricos do Sinagências “não é apenas simbólico, mas político”. Segundo ele, a presença de delegados e delegadas que constroem o sindicato desde as primeiras edições do Consag “demonstra que a unidade da categoria é resultado de acúmulo, disputa e coerência ao longo dos anos, e não um acaso”. Pedro acrescentou que, pela primeira vez, a carreira da regulação chega ao congresso “com uma articulação concreta entre todos os cargos”, o que, na avaliação dele, amplia a força política do Sinagências e reposiciona o sindicato no debate nacional sobre serviço público e desenvolvimento.

Ao iniciar a análise de conjuntura, Pedro foi categórico ao afirmar que o país vive “um dos períodos mais tensos desde a redemocratização”, marcado por uma ofensiva da extrema direita que permanece ativa e organizada. Ele alertou que esse cenário exige “vigilância permanente e mobilização contínua” por parte dos servidores, que precisam “defender direitos, resistir a retrocessos e disputar o rumo das políticas públicas” em um Brasil que já se move de olho nas eleições de 2026.
“Somos empregados da sociedade, não de governos, gestores ou projetos individuais.” Foi assim que Williams Monjardim, abriu sua participação na mesa, defendendo que os servidores precisam reafirmar permanentemente seu compromisso público. Ele alertou que posturas corporativistas e discursos elitizados afastam a categoria da realidade da maioria da população, lembrando que grande parte dos trabalhadores brasileiros vive com um salário mínimo. Para Williams, reconhecer essa desigualdade é essencial para reconstruir a confiança social no serviço público.

Williams também fez uma avaliação dura sobre a situação encontrada pela atual gestão do sindicato, afirmando que o Sinagências estava “afastado da categoria e, pior, atuando contra os servidores”. Segundo ele, os primeiros meses foram voltados à reconstrução administrativa e à organização interna, etapa que permitiu ampliar a capilaridade com secretarias estaduais em todas as unidades da federação e núcleos por agência e carreira.
Ao tratar do cenário político, Williams destacou que as agências seguem pressionadas por interesses privatistas e que apenas a organização coletiva pode enfrentar projetos que atacam o Estado social. Ele reforçou que o fortalecimento do Sinagências depende da participação ativa da base e da consciência de que “o sindicato somos nós”.